Juliano Ito é um dos seis jovens agraciados com Travel Award para expor TCC no IDWeek, referência mundial em infecções
Foto: Go Vibe Films
O egresso do curso de Biomedicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Juliano Hiroyuki Ito, foi contemplado com o International Investigator Award durante a seleção de trabalhos para o Congresso IDWeek 2025, um dos maiores eventos mundiais sobre doenças infecciosas, que será realizado de 19 a 22 de outubro, em Atlanta, nos Estados Unidos, em formatos presencial e virtual.
A premiação inclui o Travel Award, auxílio financeiro que custeia as despesas da viagem e garante a apresentação presencial do trabalho. O resumo submetido por Ito, intitulado “Impacto de medicamentos antituberculose na infectividade do micobacteriófago D29 em células hospedeiras de Mycobacterium smegmatis”, foi derivado do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
“Fui um dos seis jovens pesquisadores no mundo a receber o International Investigator Award, concedido a autores de destaque que submeteram resumos de alta qualidade. Essa premiação é altamente seletiva, especialmente considerando que, em média, três mil resumos são aceitos para o evento, que reúne cerca de 11 mil participantes”, explica Ito.
TCC sobre tuberculose

O trabalho, desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PCS), contou com orientação da professora Rosilene Fressatti Cardoso e coorientação do professor Jean Eduardo Meneguello. Segundo ele, a pesquisa é relevante devido à complexidade do tratamento da tuberculose. “Desenvolver novos compostos que tratam a tuberculose é desafiador. Então a ciência pensou: ‘e se usarmos vírus que infectam somente bactérias?’. Essa ainda é uma ideia inicial, mas pensar na interação desses vírus com antimicrobianos e com a própria bactéria foi o ponto de partida do trabalho do Juliano”, detalha o coorientador.
De acordo com Meneguello, o diferencial da pesquisa foi a coragem do estudante em desbravar um caminho inédito. “O Juliano encarou sem medo um tema ainda não explorado no laboratório. Essa resiliência e coragem são formas de fazer a ciência avançar. Tivemos que resgatar conhecimentos que antes estavam apenas na teoria e transformá-los em prática, sempre com a dúvida: será que vai dar certo? E isso moveu todos os envolvidos”, destaca.
Para Ito, a conquista representa uma virada de chave em sua trajetória. “Esse prêmio marca o encerramento da minha graduação com chave de ouro e o início da minha carreira internacional na pesquisa científica”, afirma.
O coorientador também enxerga impacto direto para a instituição. “Acredito que este prêmio valida as estratégias de internacionalização da UEM. É um exemplo de como iniciativas realizadas há anos, como a vinda de pesquisadora dos Estados Unidos para tratar de micobacteriófagos, quando eu estava no mestrado, e o convênio, no ano passado, com a Universidade de Sherbrooke, do Canadá, que incentivou Juliano neste tema, geraram frutos concretos que hoje se traduzem em reconhecimento internacional”, avalia Meneguello.
Ito destaca ainda a importância da orientação. “Mesmo não dominando o tema, o professor Jean trouxe insights valiosos, me ensinou a ser pesquisador e contribuiu demais para o desenvolvimento do projeto. Além disso, a estrutura e equipamentos da UEM foram cruciais para que esse trabalho desse certo”, ressalta.
O jovem pesquisador pretende seguir na pós-graduação, possivelmente no exterior. “Esse prêmio será essencial para aprimorar meu network em ambientes internacionais”, projeta. Já Meneguello torce para que o egresso continue conectado à UEM. “Gostaríamos que ele crescesse com a universidade, mas sabemos que ele leva o nome da UEM consigo e só podemos desejar que continue expandindo seus horizontes.”
A mensagem que fica, segundo o coorientador, é de inspiração para outros estudantes. “O prêmio mostra que a UEM não está só em Maringá, mas inserida globalmente. É um exemplo de que tudo é possível, e a universidade é um campo fértil para alcançar conquistas. Não há fronteiras para o conhecimento. Se ele é aliado ao crescimento pessoal, social e humano, temos uma ferramenta para mudar o mundo e sermos pessoas melhores. Assim como na ciência, penso que somos átomos de mudança, e somos capazes de influenciar tudo que está próximo”, considera.
Atualmente, Ito é aluno não regular do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UEM e planeja seguir carreira acadêmica. A partir desta experiência, o jovem pesquisador deixa uma mensagem para os demais estudantes: “Deixem de lado a ‘síndrome de vira-lata’. Não somos inferiores. Muitos congressos internacionais oferecem prêmios de viagem e até inscrições gratuitas. Basta ir atrás das oportunidades”, aconselha.
International Investigator Award
Criado para incentivar a participação de jovens pesquisadores internacionais no IDWeek, o prêmio é concedido a autores de resumos de destaque residentes fora dos EUA e Canadá, que estejam em formação ou com até cinco anos de carreira. O apoio financeiro é de US$ 1.500 para os premiados, podendo chegar a US$ 1.750 para resumos considerados excepcionais pelas sociedades patrocinadoras do evento.
IDWeek
O IDWeek é o congresso anual conjunto das principais sociedades norte-americanas da área de doenças infecciosas: Sociedade de Doenças Infecciosas da América (IDSA), Sociedade de Epidemiologia em Saúde da América (SHEA), Associação de Medicina do HIV (HIVMA), Sociedade de Doenças Infecciosas Pediátricas (PIDS) e Sociedade de Farmacêuticos de Doenças Infecciosas (SIDP). Considerado o principal fórum científico internacional do setor, o evento reúne profissionais de diferentes áreas da saúde para compartilhar pesquisas, experiências e avanços no cuidado ao paciente e na saúde pública.
